quarta-feira, 17 de julho de 2024

SEM PRESSA³

 em todo vendaval de palavras que saem de mim

sussurros inigualáveis diante da madrugada escura 

a cabeça pesada e quente esperando o dia amanhecer

os dedos se mexendo por agonia 

da ansiedade da vida

da ânsia de ontem e do medo de hoje

o desejo de amanhã conturbado com o segredo

será que sou capaz de viver mais um dia?

lidando com o destino das coisas e me perdendo na resposta de cada uma delas

a ausência de fôlego de cada fim de pensamento 

o conselho mal dado das minhas lágrimas 

as escolhas que me corroem e me tornam em lástima 

a pobreza do meu peito em amar mais de um milhão de juramentos 

e eu

e o amor que não uno por mim

o trago fica só pra fumaça 

e me abstenho em paz

as vozes abaixam 

e me acalento no pranto

sem pressa

sem pressa

sem pressa.

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