domingo, 21 de julho de 2024

naturalmente ninguém vindo (me deixe sozinha)

 é visceral o canto que sai das suas entranhas 

remexendo todo o entulho do meu lar

meu tapete desarrumado, a pia cheia de louças e o cinzeiro vazio

o cheiro de gás e o álbum de fotos desocupado pedindo para ser habitado por uma primeira vez

e eu digo que não tem momentos pra isso 

não existe registros 

a chuva invadindo a janela e o vento gelado se aconchegando

eu até que vi o que iria acontecer 

mas eu não tinha pra onde recorrer que não pudesse me causar tamanha agonia 

eu tive que deixar 

eu tive que convidar a entrar 

a cadeira logo se ocupou 

o meu cabelo arriou

e a luz apagou

eu já não tinha mais energia para conversar

e eu nem te conhecia

prefiro ficar sozinha

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